Uma Nova Era na Pecuária do Pará: A Rastreabilidade Bovina em Foco
A rastreabilidade bovina no Brasil se torna um tema cada vez mais relevante, especialmente quando falamos do estado do Pará. Em um processo que combina esforços entre o setor privado, governo e sociedade civil, a identificação individual de cada animal promete transformar a forma como a pecuária é gerida na região. O projeto piloto que busca identificar 100 mil cabeças de gado em São Geraldo do Araguaia é um marco nessa jornada. Neste artigo, vamos explorar as repercussões dessa iniciativa e o impacto que ela pode ter no setor agropecuário local.
O Contexto do Projeto Piloto
Nos dias 18 e 19 de fevereiro, um evento realizado em São Geraldo do Araguaia reuniu 100 pecuaristas, que tiveram a oportunidade de conhecer o Sistema de Rastreabilidade Bovídea Individual do Pará (SRBIPA). Essa ferramenta foi lançada com a missão de identificar cada cabeça de gado nascida ou em trânsito no estado. O projeto piloto visa não apenas a implementação de técnicas de rastreabilidade, mas também a inclusão de cerca de 150 produtores até o final do ano. Para muitos, essa é uma oportunidade de modernização e melhoria da gestão de suas propriedades.
Com um formato que mesclou palestras técnicas e demonstrações práticas, o evento enfatizou a importância da rastreabilidade como um componente essencial para assegurar a qualidade do gado. Somente no segundo dia, mais de 150 bovinos foram identificados e tiveram seus dados registrados nas plataformas PRIMI e Conecta. Essa abordagem prática ajudou a dissipar dúvidas e preparou os produtores para a adoção do sistema.
Vantagens da Rastreabilidade para Pecuaristas
Cada bovino identificado recebe dois brincos — um eletrônico e um visual — que contêm informações essenciais sobre a saúde e o histórico do animal. Essas informações podem ser usadas para otimizar a gestão das pastagens e aumentar a produtividade. Além disso, a rastreabilidade proporciona uma série de vantagens, incluindo:
- Aumento da Produtividade: Com um melhor manejo genético e reprodutivo, os produtores podem aproveitar melhor os recursos disponíveis.
- Redução de Custos: A identificação rápida e precisa dos animais facilita a gestão, reduzindo custos operacionais.
- Controle Sanitário Eficiente: Dados atualizados permitem uma resposta rápida a surtos sanitários, protegendo tanto o rebanho quanto os consumidores.
- Transparência na Cadeia de Suprimento: A rastreabilidade aumenta a confiança do consumidor, especialmente em um mercado cada vez mais atento à qualidade e à origem dos produtos.
Parcerias que Impulsionam a Iniciativa
O sucesso do projeto é resultado da colaboração entre diversas entidades. Com a parceria do frigorífico Masterboi, da Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, e do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), a iniciativa busca garantir que todos os elos da cadeia produtiva estejam engajados. Segundo Miguel Zaidan, diretor administrativo da Masterboi, “a Masterboi tem um histórico de investimentos no Pará e de ligação com os produtores de gado locais”, evidenciando o comprometimento de todas as partes envolvidas.
A proposta do projeto é gerar um modelo que beneficie tanto os fornecedores diretos quanto os indiretos do frigorífico. A distribuição de brincos, a análise socioambiental das propriedades, e a orientação para a execução do manejo são apenas algumas das ações que visam fortalecer a produção sustentável. O evento foi também uma plataforma de discussão, onde foram apresentados resultados e ferramentas desenvolvidas para facilitar a implementação da rastreabilidade.
Expectativas para o Futuro da Pecuária no Pará
A meta de alcançar rastreabilidade total do rebanho até 2026 reflete um compromisso sério com práticas sustentáveis. Essa estratégia está alinhada com as diretrizes do Programa Estadual de Pecuária Sustentável e será um tema central na Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 30), que acontecerá em Belém no final do ano. Além disso, o governo federal também reconheceu a importância da rastreabilidade na pecuária, conforme mostrado pelo lançamento do Plano Nacional de Identificação de Bovinos e Búfalos.
O Diretor-geral da Adepará, Jamir Macedo, enfatiza que “esse programa não é simplesmente colocar um brinco na orelha do animal. Ele prevê várias outras diretrizes que visam a melhoria da cadeia como um todo.” A identificação plena até 2026 é um objetivo ambicioso, e tanto o governo estadual quanto federal visam facilitar essa transição, implementando políticas que priorizem o engajamento dos produtores rurais.
Desafios Enfrentados na Implementação
Apesar das oportunidades, existem desafios significativos que precisam ser superados. A resistência de alguns produtores em adotar novas práticas pode ser um obstáculo, especialmente em um contexto onde irregularidades ambientais são comuns em muitas propriedades rurais. Marina Guyot, gerente de Políticas Públicas do Imaflora, destaca que “o principal desafio é o engajamento do produtor rural”, que é fundamental para a implementação bem-sucedida da rastreabilidade.
Para contornar esses desafios, a política paraense tem se antecipado, implementando estratégias de capacitação e incentivos para os produtores, evitando a exclusão de aqueles que não atendem todos os requisitos de imediato, desde que demonstrem esforço e compromisso em regularizar sua situação. Essa flexibilidade é essencial para garantir que o sistema se torne abrangente e inclusivo.
O Papel Crucial da Sociedade Civil e do Setor Privado
A união entre o setor privado, o governo e a sociedade civil é o que torna possível a implementação eficaz da rastreabilidade bovina. Miguel Zaidan, ressalta que “sem os produtores, não fazemos nada”. Essa colaboração é vital não só para garantir a sustentabilidade da pecuária, mas também para fortalecer a economia local, à medida que novos mercados se abrem para os produtos rastreados e certificados.
Além disso, a participação de associações de classe e ONGs, que estão engajadas em promover práticas sustentáveis, cria uma rede de suporte para os produtores. Isso contribui significativamente para a resistência e adaptação às novas exigências do mercado, ajudando a garantir que a pecuária paraense não apenas sobreviva, mas prospere em um futuro cada vez mais desafiador.
Conclusão: O Caminho a Seguir
O projeto piloto de rastreabilidade bovina em São Geraldo do Araguaia é um exemplo de como iniciativas colaborativas podem levar a mudanças significativas na pecuária. Com o compromisso conjunto do setor privado, governo e sociedade civil, o Pará está trilhando um caminho que não apenas promete melhorar a eficiência e a transparência na produção de gado, mas também estabelece um modelo que pode ser replicado em outras regiões do Brasil. A implementação bem-sucedida da rastreabilidade precisa de apoio contínuo, inovação e engajamento real com todos os envolvidos. À medida que esse sistema se expande, a esperança é que ele possa impulsionar um novo padrão de práticas sustentáveis na pecuária, beneficiando não apenas os pecuaristas, mas toda a cadeia produtiva.
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