Análise do Cenário Atual de Preços dos Resinas de Volume
No início de janeiro, os preços das principais resinas de volume estão em uma trajetória de queda, com exceção do polietileno (PE), que parece ter se estabilizado no final do quarto trimestre. Esta situação é resultado de uma combinação de fatores como a redução significativa nas taxas de operação das fábricas, a diminuição da demanda, altos níveis de estoque ao longo da cadeia de suprimentos e custos mais baixos de matérias-primas. Além disso, a nova capacidade de produção em PE e polipropileno (PP), juntamente com a concorrência de importações com preços mais baixos de poliestireno (PS), tereftalato de polietileno (PET), acrilonitrila butadieno estireno (ABS), policarbonato (PC) e nylon 6, contribuiu para essa tendência negativa.
Essas informações foram compiladas a partir de análises realizadas por consultores de compras da Resin Technology, Inc. (RTi), analistas seniores da PetroChemWire (PCW), além de executivos da The Plastics Exchange e da Spartan Polymers. Com a análise detalhada na mão, vamos explorar o que está acontecendo em cada segmento de resina mais detalhadamente.
Perspectivas de Preços do Polietileno (PE)
Os preços do polietileno em novembro permaneceram estáticos após um período de ajustes de preço nas vendas e uma demanda significativamente baixa. Diversos indícios apontam que os fornecedores estão adiando novos aumentos de preço que estavam programados para ocorrer entre dezembro e janeiro. O diretor associado da PCW, David Barry, e o vice-presidente da RTi, Robin Chesshier, observaram que as vendas em outubro foram as mais baixas em dois anos, forçando os fornecedores a manter as taxas de operação das fábricas no baixo 70%. Essa situação gera uma pressão adicional para que os desempenhos de preços de exportação sejam ajustados para não acumular ainda mais inventário.
Ainda assim, o mercado de PE pode ter algumas luzes no fim do túnel, uma vez que a demanda por produtos acabados baseados em PE é considerada relativamente saudável, especialmente nas categorias de HDPE e LLDPE. Um aspecto relevante é a nova capacidade que entrou no mercado, proveniente da joint venture entre Borealis e Total Energies, que representa um incremento de 10% na capacidade interna. Essa expansão pode equilibrar oferta e demanda no futuro, mas por enquanto, os resultados permanecem estáticos.
Desempenho dos Preços de Polipropileno (PP)
O polipropileno, por outro lado, continua demonstrando sinais de queda, com expectativas de um recuo de 2¢/lb em novembro. Após uma redução anterior de 15¢/lb em outubro, especialistas indicam que os preços devem permanecer estáveis através de dezembro e janeiro. Os altos níveis de estoque e a demanda interna fraca, que registrou uma queda de 10,3% no último ano, continuam a ser fatores que pressionam os preços para baixo.
Os fornecedores, embora estejam enfrentando uma pressão negativa, não têm espaço para recorrer a novas reduções de preços, uma vez que eles estão operando com margens cada vez menores. A falta de demanda impulsionou a acumulação de inventário e, embora haja algum potencial de recuperação no primeiro trimestre, as expectativas são ainda assim amargas, considerando o forte influxo de novos suprimentos nos próximos meses.
Queda nos Preços do Poliestireno (PS)
Os preços do poliestireno tiveram um leve recuo em novembro, refletindo a baixa demanda e a forte concorrência de importações mais baratas. Embora alguns fornecedores tenham tentado implementar aumentos de preços, as condições de mercado não suportam esse movimento. Barry indicou que a expectativa é de uma nova redução nos preços do PS nos próximos meses, as consequências do colapso dos preços do benzeno, que serve como base de custo fundamental para o PS, são particularmente significativas. Isso sugere que uma queda adicional nos preços do PS é inevitável, dada a força das correntes de oferta e demanda.
Outro fator complicador é a leveza na demanda, tanto interna como externa. Os fornecedores estão operando em níveis historicamente baixos de operação, o que, combinado com a pressão das importações com preços mais baixos, coloca muitos em uma situação difícil, onde os esforços para aumentar os preços não estão se concretizando.
Preços do PVC em Queda
Os preços do PVC têm mostrado uma tendência de queda acentuada, com previsões de decrescimento na ordem de dois dígitos. Após uma pequena redução de 5¢/lb em outubro, especialistas preveem quedas adicionais em novembro e dezembro. A analista Donna Todd, da PCW, relata que o panorama é de alta para a continuidade da redução de preços em resposta à combinação de altos estoques, demanda fraca e preços de exportação que também caem.
Além disso, a sobrecarga nos inventários dos produtores e a redução contínua na utilização da capacidade de produção pressionam ainda mais os preços. Essa dinâmica assegura que o PVC continuará em trajetória debaixo para os preços na primeira metade de 2023, especialmente se não houver recuperação na demanda do setor de construção e outras indústrias que utilizam este tipo de resina.
Tendências do PET
O tereftalato de polietileno (PET) também está em um período de redução de preços, com quedas já registradas e mais previsões de declínios à vista, especialmente em função dos custos das matérias-primas. A alta concorrência proveniente de importações a preços mais baixos combina-se com a baixa demanda sazonal para criar um cenário desfavorável para os preços. Esta condição está claramente evidenciada pelo fato de que muitos fornecedores de PET podem encontrar desafios adicionais nas negociações, o que pode levar a outro ajuste de preços nos próximos meses.
A estabilidade e a presença abundante da oferta doméstica seguem moldando o mercado de PET, e a competição com produtos estrangeiros de menor preço continuam a ser fatores determinantes. Com as expectativas de demanda não muito otimistas, a previsibilidade de novas quedas nos preços é bastante realista.
Queda nos Preços do ABS e PC
Os preços do acrilonitrila butadieno estireno (ABS) enfrentaram quedas significativas, caindo entre 20¢ e 30¢/lb no terceiro trimestre, com reduções adicionais entre 10¢ e 15¢/lb no quarto trimestre. O cenário se agrava, com a demanda lenta nos setores automotivo e eletrônico empurrando ainda mais os valores para baixo, refletindo uma dinâmica de mercado saturada. Kallman acredita que o primeiro trimestre de 2023 poderá trazer novas quedas nos preços do ABS.
As indicações para o policarbonato (PC) corroboram essa análise, pois os preços também estão em declínio – com previsões de quedas subsequentes em fevereiro e março. A combinação de uma oferta bem abastecida, demandando baixa no setor automotivo e na construção, e a presença de importações de baixo custo são fatores críticos que continuam a moldar o mercado para o PC e que podem manter os preços na linha de queda.
Panorama do Nylon 6 e Nylon 66
Finalmente, o mercado de nylon também foi impactado negativamente, com preços do nylon 6 caindo de 5¢ a 10¢/lb em setembro e outubro e previsão de outro desdobramento bastante expressivo. Isso está em acordo com a tendência de importações da Ásia, que oferecem preços 20 a 30% mais baixos que o produto nacional, desafiando os fornecedores a fazerem ajustes em suas políticas de preços para evitar perdas de mercado.
Da mesma forma, o nylon 66 também experimentou uma queda considerável nos preços. A interconexão de fatores como a diminuição da demanda do setor automotivo e de construção, juntamente com a continuidade de pressionar os níveis de estoque, está direcionando esse mercado em queda.
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