Impacto da COVID-19 e Colapso dos Preços do Petróleo
A pandemia de COVID-19 e o correspondente colapso nos preços do petróleo resultaram em uma contração significativa dos investimentos no setor de petroquímicos e energia. Empresas em todo o setor químico, petróleo e gás estão cortando seus orçamentos de capital com o objetivo de preservar recursos financeiros. Essa situação, como observou Joseph Chang, editor global da ICIS Chemical Business, sugere que a onda de investimentos químicos, tanto nos EUA quanto globalmente, deverá desacelerar nos próximos anos.
As projeções indicam que os projetos de crackers de olefina/poliolefina nos EUA, que estavam programados para começar entre o final deste ano e o final de 2024, provavelmente enfrentarão atrasos significativos. Os cortes no investimento também refletem uma mudança na estratégia dos grandes players do setor, que antes planejavam expandir suas capacidades petroquímicas, alinhando-se cada vez mais à demanda por produtos químicos em vez de combustíveis para transporte.
Adaptações pelos Grandes Jogadores do Setor
As grandes companhias de petróleo, como a Shell e a Dow, já estão percebendo o impacto dessa crise nos seus planos de investimentos. A Shell anunciou a suspensão temporária das obras de um cracker de etileno em Monaca, Pensilvânia, o que exemplifica a hesitação do setor em avançar com novos projetos diante de um cenário econômico incerto. De forma semelhante, a Dow reduziu sua estimativa de gastos de capital de US$ 2 bilhões em 2019 para US$ 1,5 bilhão em 2020, citando dificuldades no movimento de seus contratantes e colaboradores devido à pandemia.
Além das suspensões, a Dow está apostando em iniciar a expansão de um cracker no Texas, que aumentará sua capacidade de etileno, porém, as condições atuais podem dificultar o cumprimento dessas metas. Este padrão de adaptação das empresas mostra um reflexo dos desafios que o setor enfrenta, levando a uma incerteza que influencia muitas decisões empresariais no setor químico.
O Cenário do Investimento Químico nos EUA
A economia global do petroquímico é fortemente dependente do acesso a matérias-primas de baixo custo, principalmente o gás natural, que se tornou mais escasso com a queda dos preços do petróleo. A combinação do colapso dos preços do petróleo e a diminuição do rácio entre o Brent e o gás natural dos EUA está, de fato, questionando a viabilidade econômica de investimentos a longo prazo. A incerteza econômica é um fator desconfortante para os tomadores de decisão, o que, por sua vez, pode provocar adiamentos ou cancelamentos de projetos existentes.
Os desafios não estão se limitando a novos projetos; eles também afetam obras em andamento e a expansão de capacidades. Por exemplo, a ExxonMobil está avaliando cortes significativos em seus investimentos planejados devido à volatilidade do mercado, o que pode impactar ainda mais o cenário de construção de novos complexes de cracker no futuro.
Principais Projetos em Andamento e suas Perspectivas
Apesar da ralentização, alguns projetos notáveis estão em curso e têm a potencialidade de influenciar o mercado. O complexo de cracker da ExxonMobil em Corpus Christi, Texas, com a SABIC, representa uma entrada significativa da empresa saudita no mercado norte-americano. No entanto, detalhes sobre o tipo e volume de polietileno que será produzido ainda são escassos. Por outro lado, companhias como Total, Borealis e Nova Chemicals estão firmemente a frente com seu complexo de 2,2 bilhões de libras de polietileno em Port Arthur, Texas, que está programado para iniciar no final deste ano.
Além disso, projetos mais à frente no cronograma incluem os planejados por FG LA LLC e PTTGC/Daelim, que buscam iniciar operações entre 2023 e 2024. Esse crescimento previsto precisa ser monitorado, visto que as condições de mercado podem mudar e impactar os cronogramas de lançamento. Portanto, a resiliência do setor petroquímico dos EUA dependerá da capacidade das empresas de adaptação às novas realidades econômicas.
As Deficiências no Setor Midstream
A pressão não se limita ao setor upstream e downstream, mas também ao setor midstream, onde empresas como a Pembina Pipeline estão revisando suas capacidades de investimento para o ano. A suspensão ou adiamento de projetos importantes no setor midstream, como o investimento na joint venture com a Canada Kuwait Petrochemical Corp., levanta preocupações sobre a cadeia de suprimento de materiais críticos para a indústria. Estes desenvolvimentos indicam que o potencial de crescimento do setor está sob ameaça devido a mudanças no financiamento e prioridades empresariais.
Com cortes orçados sendo um fenômeno constante entre as empresas de energia e petroquímicos, o acesso a fontes de gás natural líquidos (NGL) deve ser monitorado de perto. O colapso em curso do setor de petróleo e gás, se não abordado, pode ter um efeito dominó que impacta a vasta rede de investimentos e inovações que formam a base da indústria petroquímica nos EUA.
Conclusão: O Futuro dos Projetos Petroquímicos
Enquanto o mundo enfrenta uma recuperação hesitante da pandemia e um ajuste aos novos padrões de consumo, a indústria petroquímica está em um caminho incerto. A redução de investimentos em novas operações e a interrupção de projetos existentes criam um cenário desafiador que pode levar anos para se recuperar. O futuro será moldado não apenas pela adaptação interna das empresas a estas condições de mercado, mas também pela capacidade da indústria em inovar e reagir a futuras crises econômicas.
Portanto, enquanto o horizonte pode estar turvado agora, a previsibilidade a longo prazo exigirá uma combinação de estratégia e inovação que pode finalmente permitir que o setor retome seu caminho de crescimento e desenvolvimento significativo.
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